O Papa Leão XIV despede-se, na manhã desta terça-feira, dos angolanos, após cumprir uma visita apostólica de quatro dias, marcada por momentos de bênção, fé, proximidade e reflexão espiritual.
Primeiro dia, 18
Durante a permanência no país, o Santo Padre manteve uma agenda intensa, cujo ponto mais alto foi o encontro com o Presidente da República, João Lourenço, que à chegada o recebeu no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda.
Na sequência, o Chefe de Estado do Vaticano foi ao encontro do homólogo João Lourenço no Palácio Presidencial da Cidade Alta, onde se encontraram em privado, seguindo-se uma troca de presentes.
Em todas as artérias da cidade por onde passou, o Papa foi recebido com entusiasmo, aplausos e manifestações de carinho por parte dos fiéis e da população em geral.
No mesmo dia, a agenda de Leão XIV incluiu, igualmente, um encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático acreditado em Angola, no Salão Protolocolar da Presidência da República.
Na primeira alocação do dia, o Papa referiu ter chegado como peregrino, desejoso de encontrar o povo angolano e reconhecer os sinais da presença de Deus, manifestando, igualmente, solidariedade às vítimas das chuvas e inundações em Benguela.
Segundo dia
No domingo, 19, o Bispo de Roma deslocou-se à Centralidade do Kilamba, onde celebrou uma missa campal com 100 mil fiéis, onde deixou a seguinte mensagem: "Não tenham medo de construir a esperança do futuro", e pediu, também, para que se ultrapasse o "ódio, as divisões e a corrupção".
No mesmo dia, o Líder da Igreja Católica Apostólica Romana viajou de helicóptero para o Santuário da Muxima, um dos locais de peregrinação mais importantes do país, localizada na província de Icolo e Bengo, onde dirigiu a recitação do terço, um momento que reforçou o valor espiritual e a importância da oração.
Terceiro dia
Já na segunda-feira, 20, Leão XIV deixou a Nunciatura Apostólica nas primeiras horas do dia, com destino à cidade de Saurimo, a abordo do "Longa": um avião Airbus da companhia de bandeira nacional-TAAG. Naquela região leste do país, visitou o Lar de Acolhimento de Pessoas Idosas, em Muangueji, que alberga mais de 74 utentes, muitas delas abandonadas pelos familiares e outras acusadas de feiticeiras.
Na mensagem de conforto dirigida aos mais velhos do lar, Leão XIV recordou que "os idosos guardam a sabedoria de um pouco"
Posteriormente, acompanhado pelo Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, o Santo Padre dirigiu-se à Sé Catedral, onde permaneceu para alguns minutos de oração.
A estadia na Lunda-Sul culminou com a celebração de uma missa campal na esplanada da cidade, reunindo milhares de crentes e autoridades locais.
Na homilia da missa, o Líder da Igreja Católica destacou que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos.
No mesmo dia, o Papa regressou à Nunciatura Apostólica, em Luanda, e, mais tarde, encontrou-se com bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Igreja de São Domingos), marcando a última etapa do terceiro dia da visita apostólica a Angola.
Momentos de bênção marcaram várias vezes a entrada e saída de Robert Prevost da sede do Vaticano em Angola.
Dois papamóveis, uma viatura eléctrica de apoio e outras protocolares movimentaram o Santo Padre nas deslocações mais curtas que o permitiu observar a recepção calorosa típica dos angolanos.
Ao longo de todos os encontros, o Papa optou por dirigir-se aos angolanos em português, reforçando a proximidade com o povo.
Quarto dia
A partir das 8h45 desta terça-feira, a agenda tornada pública pela Santa Sé informa que será realizada a cerimónia de despedida ao Papa Leão XIV no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.
Às 9h15, o avião que transporta o Santo Padre deixará a capital com destino à cidade de Malabo, na Guiné-Equatorial, dando continuidade ao périplo africano, que teve início na Argélia, passando por Camarões e Angola.
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola,. depois de João Paulo II em 1992 e Bento XVI 2009 também o terem feito.