O nacionalista Rodolfo Bernardo, radicado desde 1972 no Reino Unido, foi homenageado hoje pelo seu contributo para a Independência Nacional e integração da comunidade angolana em terras britânicas.
O Chefe da Missão Diplomática de Angola no Reino Unido e Irlanda, José Patrício, afirmou que é “uma honra celebrar com a comunidade angolana e familiares os feitos do nosso compatriota Rodolfo Bernardo”, no âmbito das actividades comemorativas ao “4 de Fevereiro”, a quem tratou por “embaixador”.
Teodoro Carvalho, presidente da União dos Angolanos no Reino Unido (UDOA), que teve a iniciativa de organizar o acto de homenagem, disse que “estamos a distinguir alguém que carrega na alma a beleza da experiência e ensina que a verdadeira sabedoria não tem preço”.
O nacionalista assinalou que se sente honrado por ter contribuído através da política para a Independência e desenvolvimento do país.
Na homenagem, realizada nas instalações da Embaixada de Angola em Londres, e que contou com a presença de diplomatas, familiares e membros da Comunidade Angolana, o nacionalista recebeu um certificado de mérito entregue pelo Embaixador José Patrício, além de outros brindes oferecidos pela UDOA.
Rodolfo Bernardo, nascido em 1942, em Malanje, foi explicador de inglês e francês e tinha uma grande paixão pela música. É poliglota, fala kimbundu, português, inglês e francês. Foi contemporâneo dos nacionalistas Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”, Liceu Vieira Dias e José Eduardo dos Santos.
Envolveu-se muito cedo nas actividades políticas, tendo em 1958 tomado parte da fundação do MINA - Movimento para a Independência de Angola- , trabalhando na formação de células clandestinas, mobilizado pelo padre Joaquim Pinto de Andrade e pelo Cónego Manuel das Neves.
Rodolfo Bernardo tinha ainda a tarefa de persuadir a juventude a abraçar, de corpo e alma, a luta pela libertação de Angola.
Destacou-se, também, nas tarefas de distribuição de panfletos de propaganda a favor da Independência de Angola, antes de ter sido descoberto e preso pela PIDE. Foi preso político com apenas 15 anos de idade, num grupo de 38 elementos, encarcerados na cadeia de São Paulo.
Em 1972 embarca para Portugal para cumprir o serviço militar no exército colonial, onde frequentou um curso de inglês pela British Council, facilitando assim a sua fuga para as terras de Sua Majestade, ainda nos anos 70.
Já na década de 80 instala a base do MPLA no Reino Unido. Em 2012 foi eleito deputado à Assembleia Nacional, tendo integrado a comissão de relações exteriores, cooperação internacional e comunidades angolanas na diáspora.
Rodolfo Bernardo foi condecorado pelo Presidente da República, João Lourenço, por ocasião dos 50 anos da Independência Nacional.