• FÓRUM CONFIRMA ANGOLA COMO DESTINO ESTRATÉGICO DO INVESTIMENTO BRITÂNICO


    **Londres, 09/09/2026- Angola é vista pelo Governo do Reino Unido como o destino estratégico para o investimento britânico.
    A afirmação foi feita hoje, em Londres, pela ministra para o Desenvolvimento Internacional e África do Governo britânico, Kirsty McNeil, no Fórum de Comércio e Investimentos Reino Unido - Angola.**

    A governante disse que “ quando olho para Angola hoje, vejo um país que aposta no futuro, a abrir a sua economia, a atrair investimento e a criar novas oportunidades para além do petróleo, em sectores que vão desde a agricultura e a energia até à mineração e às infraestruturas”.

    Acrescentou que é por isso que Angola desperta forte interesse e é um destino estratégico para o investimento britânico.

    “É por isso que a parceria entre o Reino Unido e Angola é tão importante: não porque um país tenha todas as respostas e o outro tenha todas as perguntas, mas porque ambos os países têm algo a contribuir um para o outro”.

    Para essa parceria estratégica, Kristy McNeil enfatizou que o Reino Unido traz conhecimentos especializados em áreas como finanças, infraestruturas, tecnologia e inovação, enquanto Angola traz talento, recursos, ambição e uma visão clara para a transformação económica.

    Como prova do fortalecimento da cooperação bilateral, a governante citou o sector financeiro.

    “Vemos essa parceria nos projectos de infraestruturas apoiados pela experiência e pelo financiamento do Reino Unido. Vemos também essa vitalidade nos hospitais, nas estradas, nas redes de electricidade e nas infraestruturas de protecção contra as cheias, que ajudam as comunidades hoje, ao mesmo tempo que criam oportunidades para as futuras gerações”.

    O Governo do Reino está determinado a prosseguir o caminho
    do fortalecimento da cooperação e trabalhar em conjunto com Angola, depois de no passado ter dado passos firmes no sector humanitário, presente através do trabalho de organizações como a HALO Trust e o Mines Advisory Group, cujos esforços de desminagem permitem que as famílias regressem em segurança às suas terras e ajudam os agricultores a cultivar as suas terras sem medo, asseverou a ministra Kirsty MacNeil.

    Quanto ao Corredor do Lobito, disque são caminhos de ferros e transportes importantes para ligar as comunidades aos mercados, e estão a criar novos empregos e a desbloquearem o potencial económico, garantindo as condições para uma prosperidade sustentável a longo prazo.

    No seu discurso, durante o Fórum de Comércio e Investimentos, a representante do Governo britânico afirmou que o Reino Unido orgulha-se de estar ao lado de Angola nesta jornada — dia e noite, perto e longe, hoje, amanhã e nos anos que virão.

    “Como sabem muito bem, existe um provérbio angolano que diz: Para saber verdadeiramente se alguém é seu amigo, é preciso viajar com ele; acompanhá-lo dia e noite, ir com ele para perto e para longe”, rematou.

    Por sua vez, a ministra angolana das Finanças, Vera Daves de Sousa, fez, na sua intervenção, um convite aos britânicos a investirem em Angola, porque o país está aberto, operou reformas na legislação e melhorou o ambiente de negócios.

    “Comecemos pelo investimento privado. A Lei do Investimento Privado, revista e republicada em 2021, estabeleceu um quadro mais favorável ao investimento, incluindo a eliminação do requisito de capital mínimo, garantias para os investidores, a livre repatriação de dividendos e outras receitas, bem como mecanismos alternativos de resolução de litígios”.

    A ministra disse que a Janela Única do Investimento, operada pela AIPEX, permite actualmente que um investidor percorra, num único lugar, todo o processo, desde o registo até à obtenção dos benefícios e à adjudicação do contrato.
    Desta forma, explicou que os incentivos procuram corresponder à dimensão e à ambição dos investidores e dos projectos.

    “Sobre este quadro regulamentar está assente o próprio portefólio de activos, que oferece diferentes possibilidades: privatizações, concessões, mandatos contratuais, parcerias público-privadas, ou simplesmente a possibilidade de iniciar um negócio de raiz”, acrescentou.

    Vera Daves de Sousa avançou que está em curso um programa de privatizações que se encontra na sua fase final, com 121 activos, de um total de 130, preparados para serem colocados no mercado.

    “Estamos a falar de 1,75 mil milhões de dólares em receitas provenientes de contratos desde 2019, sendo que 42% desse valor teve origem em compradores estrangeiros”, anunciou.

    Revelou que Angola está a reduzir, de forma ordenada, a presença do Estado em dezenas de empresas nos sectores da indústria, serviços financeiros, turismo e agricultura, passando de operador directo para regulador e facilitador.

    Para investidores ambiciosos, esclareceu que isto significa oportunidades de aquisição, parcerias público-privadas e a possibilidade de introduzir padrões internacionais de governação corporativa em activos cujo verdadeiro valor ainda não foi plenamente desenvolvido.

    Privatização de Activos

    A titular da pasta das Finanças de Angola disse que restam nove activos na actual fase do processo, entre eles o Standard Bank Angola, que chegará ao mercado nos próximos dias.

    “A questão para este grupo não é saber se esses activos vão mudar de mãos. A questão é saber quem estará à mesa quando isso acontecer”, enfatizou.

    Bolsa de Valores

    Vera Daves de Sousa pontualizou que para o mercado nacional, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) tem registado crescimento em termos de liquidez e sofisticação.

    Disse que a capitalização atingiu 6,9 mil milhões de dólares em Julho, representando quase 200% de crescimento num ano.

    “Vamos reforçar a abertura da BODIVA aos investidores institucionais estrangeiros e continuar a alinhá-la com os padrões dos mercados internacionais”.

    Mercado Aberto aos Investidores estrangeiros

    A ministra das Finanças declarou que a emissão de títulos do Tesouro, o alinhamento progressivo com os padrões britânicos e europeus e o alargamento da base de investidores nacionais significam que Angola está a tornar-se não apenas um destino para o investimento directo, mas também um mercado onde o capital pode circular com segurança jurídica e retornos competitivos.
    Quanto as razões para os britânicos escolherem Angola para investir, a ministra argumentou:
    “Porque somos consistentes.Porque estamos comprometidos”.

    Para a governante angolana graças à expansão do mercado, existe agora uma maior dinâmica e profundidade financeira.
    Confirmou que o investimento já é visível nos sectores da logística, indústria transformadora, energia e telecomunicações, e assenta em activos de grande valor.

    “A vossa experiência em finanças, infraestruturas, energias renováveis e serviços tecnológicos de alta especialização encontra em Angola um mercado que necessita precisamente dessas capacidades. E o meu compromisso é acompanhar cada investidor desde o primeiro contacto até à preparação e concretização dos projectos”, frisou.

    Diante grandes empresas britânicas e de grandes investidores, a ministra das Finanças, antes de terminar a sua intervenção, voltou a lançar o convite:
    “Venham para Angola, encontrem o vosso próprio caminho e façamos com que este fórum seja recordado como aquele em que Angola deixou de ser apenas apresentada aos investidores e começou a ser construída com eles”.

    O Fórum de Comércio e Investimentos Reino Unido - Angola, realizado em Londres, foi uma iniciativa conjunta da DMA Invest , Embaixada britânica em Luanda, Embaixada de Angola em Londres e Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), que juntou governantes e empresários dos dois países.

    O evento foi dominado por debates dedicados aos mercados de dívida e ao financiamento do desenvolvimento,
    às privatizações, às ofertas públicas iniciais e ao desenvolvimento do mercado de capitais.